sábado, 2 de junho de 2007

Sei que isso pode (e vai) causar uma impressão de estranhamento e repúdio a várias pessoas, mas não posso deixar de considerar o quanto me sinto atraído e maravilhado por tudo que me parece errado, insano, doentio, repulsivo e qualquer outro adjetivo que não me vem a mente nesse momento. É como se, de alguma forma, eu enxergasse o reflexo daquilo que há no meu interior, atingindo o que habita nas profundezas adormecidas da minha mente e trazendo-o a tona, florescendo dentro de mim uma série de sensações na qual se destaca uma sardônica alegria junto a formas estranhas de prazer, satisfação e encantamento. Desde cedo me senti encantado por várias coisas e pensamentos que nunca ocorriam de passar na mente da maioria das pessoas, e que se ocorresse, nada mais causaria do que estranhamento e total incompreensão sobre o intuito de tudo aquilo, deixando-as com raiva, ou com medo, ou simplesmente confusas. Tudo o que me soa pertubador, intrigante, dissonante, insano, etc. representa de certa forma uma quebra com os valores tradicionais de estética, pensamento e representação, como se buscasse no poder da imaginação e nos mais profundos recantos inconscientes uma transcendência à normalidade e ao tédio abominável do terreno mundano que nos cerca, no qual somos tão inutilmente limitados.

Portanto, isso acaba sendo, ao meus olhos, uma forma de buscar um rompimento dos vínculos que existem e os vínculos que criamos neste mundo, procurando uma nova visão e representação deste mesmo mundo através do poder da imaginação e dos mais sombrios sentimentos que pairam em nosso interior mas que infelizmente somos obrigados a sufocá-los, para que não assustemos os outros e assim gerar discussões e controvérsias (algo que já é comum se tratando de mim) ou porque não podemos simplesmente pô-los em prática como gostaríamos. E isso me soa muito mais interessante e admirável do que a repetição de velhos clichês e representações belas, mas ordinárias de tão óbvias e que não me despertam mais do que indiferença e tédio.

Por isso eu digo que a doença, a loucura, a psicopatia, a soturnidade, o complexo, o incompreensível, o inacessível, o surreal, o transcendental o proibido, o repulsivo me são tão atrativos, pois eles são para mim a mais pura tentativa de romper com os padrões insípidos e enfadonhos da realidade e de tudo que é considerado correto pelo tão famoso "senso comum", através dos desejos e pensamentos mais sórdidos e obscuros que adormecem em nossa mente, mas que poucos são os que conseguem despertá-los e compreendê-los a ponto de deixar que ele se desenvolva e tenha uma vida própria, incorporando-se assim ao seu estilo de vida e forma de pensar e buscar assim um "algo a mais" que se mostra initieligível a mentes comuns.





Ponto final.



ps.: "soturnidade" existe? se não existe, foda-se também u_u

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