Apenas um grande vazio e a mais sombria desolação se propagam diante de olho há muito desfocados, perdidos dentro de um solitário confinamento que habita nas profundezas de uma alma que há muito deixou de vibrar. Não há mais nada que pode lhe aquecer seu coração há muito congelado pulsar de novo com o mesmo vigor de outrora, devido à tão imersa letargia em que ele se encontra no momento. Nada mais do que uma triste caricatura de algo que um dia possuiu uma forma definida, um dia possuiu energia e não se trancafiava no frágil relento de sua cela fria e úmida. Lágrimas que um dia escorreram ao longo de sua face até derramar seu conteúdo no chão, mas agora nada mais fazem pois suas fontes secaram há tempos já esquecidos. Então, predomina apenas um ser agonizante, perdido nas mais insanas angústias que assolam um ser coberto pelos lençois do desespero, buscando uma fuga para tudo que lhe aflinge e faz sangrar sua pobre alma. Parece mesmo que não há mais conforto para a sua abismável tristeza, e que agora não existe mais nenhum fragmento de esperança possível de ser encontrado nesse vasto deserto da existência. Apenas resta-lhe aguardar pelos sórdidos vendavais outonais, que não tardarão a chegar. Apenas resta-lhe aguardar pelas plácidas madrugadas frias, que haverão de revestir seu corpo com a veste convalescente da decadência. Apenas resta-lhe aguardar o momento em que aquele relógio complete o seu último ciclo, finalizando por fim uma missão que nunca, sob hipótese alguma, deveria ter se iniciado. Apenas resta-lhe aguardar pelo extinguir da última chama acesa do espírito, até que tudo se consuma na mais negra escuridão do vazio.
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